Pesquisas aprovadas para o Ciclo de Diálogos Contemporâneos foram produzidas por alunos de Direito, Medicina, e do mestrado em Gestão Integrada do Território
O Ciclo Ibero-americano de Diálogos Contemporâneos é um fórum internacional para debates e exposições de investigações científicas. Neste ano, a 6ª edição será em Porto, Portugal, entre os dias 20 e 22 de maio, com a temática História, Poder e Sociedade. Realizado de forma híbrida, o Ciclo de Diálogos Contemporâneos de 2025 terá apresentação de quatro pesquisas feitas na UNIVALE, feitas por estudantes e docentes que tiveram seus trabalhos selecionados.
O trabalho “Que horas elas realmente serão valorizadas?” foi produzido pela aluna Lídia Fernanda de Oliveira Souza, do curso de Direito, e pelo estudante João Eduardo Tavares Cunha, de Medicina, com orientação da professora Joana Paula Ataíde, pesquisadora do Observatório Interdisciplinar do Território (Obit), laboratório ligado ao mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT).
O estudo, relata Lídia, aborda o papel desempenhado por mulheres na sociedade, na esfera profissional e no ambiente doméstico. “Falamos um pouco das condições que eram e ainda continuam sendo impostas para a mulher ter dignidade, um bom trabalho, saúde e uma tentativa de vida mais justa. Pra mim é uma grande honra, ainda mais cursando o 1º período. Todo o processo foi muito satisfatório, consegui relacionar com as matérias que eu já tinha estudado na universidade. Acho que isso é o principal: saber colocar, pelo menos um pouquinho, o nosso conhecimento na prática”, comentou a aluna.

O título da pesquisa faz referência ao filme “Que horas ela volta?”, protagonizado por Regina Casé. “É uma obra brasileira que apresenta um recorte atemporal da intersseccionalidade. Foi possível associar o Direito, com suas análises em relação aos direitos adquiridos, e a saúde pôde ser abordada pelos marcadores sociais que permeiam não apenas o campo do Direito. O trabalho interdisciplinar mostra que a cultura contorna os diversos saberes”, acrescentou a orientadora do trabalho, Joana Paula.
Além de professora na UNIVALE, Joana ainda é mestranda no GIT, e uma pesquisa de sua autoria também foi selecionada para o 6º Ciclo Ibero-americano de Diálogos Contemporâneos. Ela considera a participação no evento como uma oportunidade de internacionalizar uma discussão sobre o Vale do Rio Doce.
“Nosso resumo fala sobre história, poder e sociedade, que é o tema do Ciclo Ibero-americano de Diálogos Contemporâneos, e faz menção à nossa pesquisa no GIT, sobre a obra ‘Nas terras do rio sem dono’, que analisa territorialidades e disputas de poder em uma luta fundiária que permeia não só o século passado, nas décadas de 1940 a 1960. Mas também falamos de Direito, de território simbólico e território físico, recortando esse período turbulento. Por meio do Ciclo Ibero-americano, nós estamos levando nossa pesquisa e também uma questão histórica e memorial da nossa região do Vale do Rio Doce a um campo científico internacional”, avaliou Joana, que foi orientada em sua pesquisa pelas professoras Patrícia Falco Genovez e Maria Terezinha Bretas Vilarino.

A professora Terezinha ainda orienta outros dois trabalhos aprovados para o evento de Diálogos Contemporâneos, ambos de estudantes do GIT: “Não adianta colocar creme de leite e chamar de Fettuccine Alfredo”, de Marcus José Almeida Vila Real; e “A Morte à Espreita: uma análise de dados sobre a morte do jovem negro”, de Sabrina Olegário Santana (com coorientação da professora Maria Celeste Reis Fernandes de Souza).
“A participação dos mestrandos num evento como o Ciclo Ibero-americano de Diálogos Contemporâneos confere à UNIVALE e ao GIT visibilidade e reconhecimento das pesquisas realizadas internamente. Também contribuímos com o processo de internacionalização da UNIVALE e do GIT, além da possibilidade de troca de conhecimentos acadêmicos e divulgação da ciência”, afirmou Terezinha.

O mestrando Marcus José considera que a seleção de sua pesquisa para o Ciclo de Diálogos Contemporâneos é uma etapa importante para a trajetória acadêmica no GIT. “A Terezinha é uma orientadora fantástica. A notícia de que o trabalho foi escolhido é um passo para a realização do sonho lá na frente, quando tiver minha dissertação aprovada. Sinto muita felicidade e muita gratidão, porque as coisas estão caminhando. Mas vejo também que ainda tem muita coisa para acontecer até chegar onde eu quero, com o título de mestre. E sinto muita gratidão por todas as pessoas que me ajudaram a chegar até aqui, como minha família e a Terezinha. É uma realização que vem quando a gente tem uma rede de apoio em volta”, disse Marcus.

Também mestranda com estudo aprovado para apresentação no Ciclo Ibero-americano de Diálogos Contemporâneos, Sabrina Santana pesquisou sobre o contexto da violência no Brasil. Ela classifica a participação em evento internacional como um marco significativo.
“Busquei relacionar este trabalho com o tema central da minha pesquisa, ‘Saúde e Raça’, com o estudo das mortes violentas. Deparei-me com a realidade alarmante da morte sistêmica da juventude negra no Brasil, caracterizando um verdadeiro genocídio. A morte, de fato, está à espreita, e, além das preocupações normais que pais e responsáveis têm com seus filhos, os responsáveis por jovens negros precisam se preocupar com a própria sobrevivência de seus filhos”, declarou Sabrina.