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Aluno do GIT participa do II Simpósio Ibero-Americano de Segregação Socioespacial Urbana da Universidade de Lisboa 

04 fevereiro, 2026
Estudo desenvolvido no GIT articula território, ancestralidade e direito à cidade em debate internacional

O aluno Julio Cezar Santos Gomes, do mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT), representou a UNIVALE no II Simpósio Ibero-Americano de Segregação Socioespacial Urbana, entre os dias nos dias 21 e 23 de janeiro, no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (Igot) da Universidade de Lisboa, realizado de forma presencial e híbrida. O Igot-ULisboa integra a mais antiga e conceituada Unidade de Investigação Científica em Geografia de Portugal, se constituindo como a principal referência na investigação e divulgação do conhecimento geográfico no país.

GIT aluno

O aluno apresentou seu trabalho intitulado como “Resistência por vir: Narrativas de terreiros como espaços segregados”, resultante do projeto de pesquisa “Corpo-Território-Terreiro: territorialidades, religiosidades, vozes, cultos, artes e saberes por vir”, financiado pela Universidade Vale do Rio Doce, e coordenado pelo professor Bernardo Gomes Nogueira Barbosa.

A ideia para essa apresentação nasceu a partir de insights em algumas orientações com seu professor orientador no mestrado, Edmarcius Carvalho Novaes, somado a interpretação de referências literárias, vivências e trocas de experiências em terreiros.

“Historicamente, os terreiros, barracões, roças e casas de culto de religiões afrobrasileiras são vistos com maus olhos e demonizados pelo imaginário colonial do cristianismo. Tais preconceitos, provenientes da catequização imposta no período de colonização nacional, produziram uma crença popular transmitida, geralmente, pela oralidade geracional. Mas também há escritos que associam tais territórios e práticas como ‘coisa’ do temido diabo cristão. Essa errônea preleção, em resumo, promove a segregação, que afasta os terreiros dos centros urbanos. Essa segregação ocorre tanto pelo desconhecimento e medo irracional das práticas de terreiro, quanto pelo risco de depredação e vandalização dos ataques de intolerância e racismo religioso”, enfatiza o professor Edmarcius.

GIT aluno

Para o aluno do GIT, vivenciar essa experiência foi um momento significativo para sua formação na pós-graduação: “A proposta da minha pesquisa, que parte desse projeto, envolve elucidar os terreiros como espaços que proporcionam, além de desenvolvimento espiritual, a sociabilidade, pertencimento, reconexão ancestral, acolhimento e construção da vivência desse corpo-território em terreiro. A escolha de utilizar ‘Resistências por vir’ ao iniciar o título do resumo se faz justamente para representar a carga temporal em resistir à catequização cristã e ao apagamento imposto ao longo da história do país, e em se manterem firmes em suas tradições, ritos e tecnologias, mesmo sendo alvos de uma maçante perseguição que ainda hoje se faz presente”.

Para o GIT, ter alunos que apresentem trabalhos com essa temática é significativo, pois desta forma o programa de pós-graduação trabalha com dimensões e territorialidades relacionadas à diversidade religiosa e étnico-raciais, e demonstra a relevância internacional ao associar tais experiência em Governador Valadares, para evidenciar e desestigmatizar religiões afrobrasileiras, proporcionando reconhecimento do direito à cidade.

“A participação neste Simpósio da Universidade de Lisboa não se encerra na exposição apenas de um recorte geográfico, mas firma-se como um ato político de ocupação do espaço acadêmico hegemônico por narrativas historicamente subalternizadas. Ao tensionar as fronteiras entre o planejamento urbano e a ancestralidade, a pesquisa reafirma que o reconhecimento dos terreiros é, fundamentalmente, a garantia do direito à existência plena nas dinâmicas urbanas. É no entrecruzar dessas vozes e saberes que a ‘resistência por vir’ se faz materializada, desconstruindo o estigma da segregação para dar lugar a uma cidade que, enfim, comporte a pluralidade dos corpos e territórios que a compõe”, afirma Júlio Cezar.

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