Sumário
Com cerca de duas décadas de atuação na Polícia Civil e mestra em Gestão Integrada do Território (GIT) pela UNIVALE, a delegada Adeliana Xavier Santos pesquisou como o discurso misógino e de autoafirmação, que alcança muitos adolescentes conectados à internet, se associa à prática de violência de gênero. Em entrevista ao professor Edmarcius Carvalho para o programa Ed. Pesquisa, da UNIVALE TV, a delegada comentou seus estudos no mestrado sobre políticas de combate à violência contra a mulher, como os grupos de ressocialização para que agressores não reincidam no abuso físico ou psicológico.
A delegada argumenta que, embora movimentos que pregam a superioridade masculina não sejam recentes, redes sociais ampliaram o alcance de grupos como os incels e redpills, principalmente entre adolescentes que tenham passado por frustrações com mulheres, potencializando atos de violência de gênero.
“Quando um homem, um adolescente, se encontra nesse movimento de redpills ou incels, e se depara com uma mulher, e se frustra com essa mulher, ele parte para a violência. Porque a intenção é manter a superioridade masculina, e isso é a misoginia. Misoginia é não gostar do ser feminino e desprezar a mulher enquanto ser feminino. O perigo desse movimento é que atinge muitos adolescentes, os que mais absorvem esses movimentos. E, no futuro, os meninos de hoje serão homens que vão se desenvolver como misóginos e machistas”, explicou Adeliana.
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Em sua pesquisa, a egressa do mestrado da UNIVALE argumenta que, embora a Lei Maria da Penha seja um bom exemplo de legislação para proteger as mulheres, é preciso que as políticas públicas trabalhem com homens, para prevenir novos casos de violência de gênero. A delegada avalia que, além de cumprir pena por agressão, o autor de crimes contra a mulher deve participar de grupos de ressocialização durante o período de encarceramento.
“Muitas vezes os homens não compreendem o que é ser violento. E os grupos de reflexão que eu trouxe em minha dissertação foram justamente sobre reuniões de homens que vão aprender sobre masculinidade tóxica e tudo o que configura violência contra as mulheres. O homem, quando está entre pares, com 20 homens reunidos e que começam a dialogar entre si, e um se reconhece como violento, o outro pensa ‘eu fiz a mesma coisa, então eu sou violento’. Quando os homens saem desses grupos, a Polícia Civil tem um projeto que se chama Dialogar, e já foi feito o estudo que 98% dos homens que frequentam o projeto não reincidem na violência doméstica. A minha pesquisa foi porque eu queria encontrar uma forma de diminuir o número de mulheres violentadas”, afirmou.








