Comemoração do Dia da África na UNIVALE teve roda de conversa e manifestações artísticas, culturais e culinárias de inspiração africana
O Dia da África, 25 de maio, foi celebrado pela primeira vez na UNIVALE nesta segunda-feira, como forma de reconhecer e valorizar a ancestralidade e a cultura dos povos do continente africano. A comemoração foi organizada pelo Núcleo de Estudos sobre Desenvolvimento Regional (Neder), laboratório de pesquisa do mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT), por iniciativa do mestrando Salomão Paulo Firmino, natural de Luanda, em Angola.

A data de 25 de maio foi escolhida por ser o dia de fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963, quando líderes do continente se reuniram na Etiópia – único país africano a jamais ter sido colonizado – para discutir a libertação de nações ainda dominadas por países europeus. A OUA foi dissolvida e deu lugar à atual União Africana, mas as comemorações de 25 de maio permaneceram.
Graduado em Filosofia e em Teologia, Salomão Firmino já tinha visitado Governador Valadares antes de se tornar aluno do mestrado interdisciplinar da UNIVALE. “Conheci o GIT e gostei do programa. Território, cultura e migrações são temas que têm tudo a ver comigo”, salientou. Ao ingressar no programa, passou a desenvolver pesquisa sobre a migração da África Subsaariana para o Brasil, e encontrou outras pessoas do continente vivendo em Valadares. Celebrar o Dia da África na UNIVALE, ele avalia, é uma forma de reconhecer a presença africana no município.
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“Valadares é uma cidade de onde saem muitos migrantes. É interessante que a cidade também recebe imigrantes, até lá do nosso continente africano. Essa pesquisa, sob a orientação da professora Sueli Siqueira, me desafiou a reconhecer e a buscar os africanos neste território. Aqui eu descobri irmãos, amigos africanos que já moram aqui e que trabalham aqui. Este território não é só dos que emigram, mas também recebe quem vem para cá”, frisou Salomão.
A comemoração do Dia da África na UNIVALE teve roda de conversa e manifestações artísticas, culturais e culinárias de inspiração africana, com participação do Coletivo Abayomi e com a presença de outros africanos residentes em Governador Valadares, nativos da República do Congo e de Guiné-Bissau, que também falaram de suas experiências como imigrantes.

Coordenadora do Neder e orientadora de Salomão no GIT, a professora Sueli Siqueira considera a celebração do Dia da África uma oportunidade para dar destaque a conhecimentos sobre o continente que vão além do colonialismo e da escravidão, com impérios africanos que desenvolveram avanços em campos como medicina, geometria e arquitetura.
“Nós fizemos esse bate-papo para entender um pouquinho mais sobre a África. Porque muito do que algumas pessoas falam sobre a África não condiz com aquilo que de fato é a África. É um continente, mas muita gente vê como se fosse um só país, sem perceber que existem diferentes etnias e diferentes países, todos com histórias de como foram configurados. E agora é o momento de refletir sobre isso, já que nós aqui temos toda essa perspectiva de estudar e compreender os territórios”, afirmou Sueli.












