Descarte consciente de remédio evita riscos à saúde e ao meio ambiente
Quase todo mundo tem em casa aquela caixa de remédios esquecida, comprimidos que sobraram, xaropes vencidos, pomadas que já não são mais usadas. O problema começa quando chega a hora de se desfazer deles. Sem informação, muita gente acaba jogando tudo no lixo comum ou na pia, sem imaginar os impactos dessa escolha.

O descarte inadequado de medicamentos é uma questão de saúde pública e ambiental. Substâncias químicas presentes nesses produtos podem infiltrar no solo, alcançar cursos d’água e afetar animais, plantas e até os próprios seres humanos.
Para evitar esse cenário, existe um caminho simples: procurar pontos de coleta específicos, disponíveis em farmácias, drogarias e Unidades Básicas de Saúde (UBS). Esses locais recebem medicamentos vencidos ou em desuso e garantem que tenham a destinação correta, conforme previsto na legislação federal.
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O professor da UNIVALE, Bruno Capilé, chama atenção para o que acontece quando o descarte é feito de forma errada. “O adequado seria proteger o lençol freático. Quando o medicamento vai para a pia ou para a descarga, ele não desaparece. Em locais sem tratamento de esgoto, isso contamina a água e, ao longo do tempo, todo o ecossistema”, explica.

Mais do que um impacto ambiental distante, as consequências podem ser diretas. O professor do Curso de Farmácia da UNIVALE, Bolivar Ralisson Amaro, destaca que o problema atinge diferentes níveis. “Não é só o meio ambiente. O descarte incorreto pode afetar animais, pessoas que lidam com o lixo e até quem consome água ou alimentos contaminados”, afirma.
Ele alerta ainda para efeitos menos visíveis, mas igualmente graves. “Resíduos de medicamentos podem favorecer a resistência bacteriana, dificultando o tratamento de infecções no futuro. Além disso, substâncias hormonais podem alterar organismos aquáticos, como os peixes”, diz.
O que fazer na prática
A boa notícia é que descartar corretamente é mais simples do que parece. O primeiro passo é separar os medicamentos que não serão mais utilizados. Em seguida, retirar caixas e bulas, que podem ser jogadas no lixo comum ou reciclável.
Os medicamentos, sejam comprimidos, cápsulas, líquidos ou pomadas, devem ser levados até um ponto de coleta. Não é necessário separar por tipo. “A população não precisa fazer essa triagem. Isso será feito depois, no processo de destinação final”, explica Bolívar.

Objetos perfurocortantes, como agulhas e seringas, exigem cuidado extra e devem ser armazenados em recipientes resistentes antes do descarte, para evitar acidentes.
Um problema coletivo
Para Bolívar, a falta de informação ainda é o principal obstáculo. “Muitas pessoas não sabem onde descartar ou não entendem os riscos. Quando esse conhecimento chega, o comportamento muda”, afirma.
Ele reforça que a conscientização precisa ser contínua e coletiva. “Escolas, universidades e profissionais da saúde têm um papel importante em orientar a população. Quanto mais informação, menor o impacto”, diz.
Pontos de coleta já instalados em instituições de ensino, como a UNIVALE, têm registrado volumes significativos de medicamentos recolhidos e materiais que poderiam ter ido parar no ambiente de forma irregular.








