Estudo da historiadora e docente Erika Benigna trabalha marcadores sociais de raça e gênero, demonstrando a interseccionalidade de várias formas de opressão vividas por adolescentes negras da educação básica
Pioneira nas discussões de raça e gênero no mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT) na UNIVALE, a historiadora Érika Benigna defendeu no segundo semestre de 2022 a dissertação “Estou cansada, muito cansada: opressões interseccionais de raça e gênero vivenciadas por adolescentes negras, estudantes da educação básica”. O trabalho, que já havia disputado e vencido editais para ser apresentado e para que trechos fossem publicados como capítulos de livros, conquistou o segundo lugar do Prêmio Nacional de Teses, Dissertações e TCCs do Grupo Editorial Diálogo Freiriano (GEDF), e agora a pesquisa será publicada integralmente como um livro.
“É um tema pertinente. O tema da negritude, o tema das adolescentes negras. O trabalho foi defendido em Minas Gerais, no mestrado em Gestão Integrada do Território. Que bárbara, essa linha de pesquisa. Parabéns, Erika. Teu mestrado é fabuloso, vai ser uma alegria publicá-lo em formato de livro, aqui com a gente”, comentou o editor-chefe do GEDF, professor Ivanio Dickmann, ao anunciar as pesquisas premiadas. Em todas as categorias, foram cerca de 2 mil inscrições – dentre elas, 329 trabalhos de mestrado, modalidade em que Erika concorreu.

Orientada no mestrado pelas professoras Maria Celeste Reis Fernandes e Fernanda Cristina de Paula, Erika desenvolveu um estudo trabalhando marcadores sociais de raça e gênero, demonstrando a interseccionalidade de várias formas de opressão vividas por adolescentes negras da educação básica. “Fiz um grupo de oficinas temáticas e discuti com adolescentes negras sobre as vivências delas, que a princípio seriam vivências só da escola. Mas a pesquisa de campo acabou ultrapassando a escola e elas trouxeram as vivências do corpo-território delas em diversos territórios. Minha dissertação denuncia o racismo institucional, o estrutural, o racismo recreativo, o colorismo, e todos os mecanismos de perpetuar o racismo em nossa sociedade”, explicou.
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Graduada em História pela UNIVALE, Erika é professora de educação básica, e sua pesquisa foi influenciada ainda pelo ativismo da docente, que também é integrante do Coletivo Abayomi e desde a adolescência milita em movimentos sociais, com atuação no movimento estudantil secundarista, movimento sindical e movimento negro. A ideia inicial ao ingressar no mestrado era a de traçar uma contextualização histórica sobre a educação em Governador Valadares. Ao perceber que muitos autores não levantavam discussões que considerassem perspectivas de marcadores de gênero e raça, ela decidiu alterar o objeto da pesquisa, considerando sua própria experiência como docente na educação básica.

“Foi na disciplina de Fundamentos da Ciência que a Celeste me disse que, para fazer uma pesquisa de mestrado, é preciso estar muito apaixonada pelo objeto de estudo, e que me via muito mais apaixonada pelas questões de raça e gênero do que propriamente por discutir a contextualização histórica da educação em Valadares. A partir daí eu resolvi mudar o meu tema, para fazer a discussão de raça e gênero”, explicou.
Antes de ser escolhida a segunda melhor dissertação entre os trabalhos de mestrado inscritos no prêmio do Grupo Editorial Diálogo Freiriano, a pesquisa sobre raça e gênero já tinha sido selecionada para publicações de trechos como capítulos de livros, no primeiro volume da coletânea “Encruzilhadas culturais” (de 2025, com o tema “Arte, corpo e resistência”) e, mais recentemente, para o segundo volume (ainda em fase de organização, com o tema “Direitos Humanos e saúde mental”, em texto feito com colaboração da psicóloga Sabrina Bertolini). Em 2024, Erika já havia divulgado seu trabalho em Juiz de Fora, no festival “Bela, Cientista e do Bar”, realizado pelo projeto de extensão “Ciência ao Bar”, da UFJF.












