Pint of Science estreia edição 2026 com temas que impactam diretamente o cotidiano da população
A primeira noite do festival Pint of Science GV 2026 mostrou que ciência e conversa descontraída podem dividir a mesma mesa, e atrair um público interessado em aprender e debater temas atuais. Realizado na sala Magma, o laboratório de Inovação da Sicoob AC Credi, no centro da cidade, o evento reuniu estudantes, professores e pesquisadores de diferentes áreas da UNIVALE para discutir inteligência artificial e desastres ambientais, em um ambiente marcado pela participação ativa do público.

Com clima leve, interação constante e troca de experiências, a abertura do festival confirmou a proposta do Pint of Science: tirar a ciência dos laboratórios e espaços acadêmicos para aproximá-la da comunidade.
A primeira palestra da noite, conduzida pela professora Cristiane Mendes Netto, abordou o tema “IA… e aí? A inteligência artificial no nosso cotidiano”. Durante a conversa, a docente provocou reflexões sobre como a tecnologia influencia decisões diárias e também sobre os impactos sociais presentes nos algoritmos e plataformas digitais.
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“A gente trouxe a temática da IA no nosso cotidiano, mas, na verdade, a gente quer provocar reflexões não apenas sobre quem usa, mas também sobre quem está envolvido na programação, na criação e na ciência que disponibiliza toda essa tecnologia para a gente. Trouxemos uma provocação em relação às desigualdades que também se fazem presentes na ciência”, explicou.
Segundo a professora, o debate também chamou atenção para os preconceitos reproduzidos por ferramentas de inteligência artificial e para a necessidade de ampliar a participação de mulheres e pessoas negras na tecnologia.

Cristiane destacou ainda a importância do festival como ponte entre universidade e sociedade. “O que a gente produz de conhecimento, tecnologias e reflexões precisa chegar à comunidade. O Pint tem esse propósito de popularizar a ciência e mostrar para as pessoas o que é feito dentro da universidade”, afirmou.
A segunda palestra da noite foi conduzida pelo professor Bruno Capilé, que discutiu o tema “Quando o desastre vira rotina: por que estamos nos acostumando com tragédias ambientais?”. A apresentação trouxe uma análise crítica sobre como os desastres socioambientais deixam de ser vistos apenas como acontecimentos isolados e passam a fazer parte do cotidiano das populações afetadas.
“Hoje a fala foi mais no sentido de conscientizar de maneira crítica a questão do desastre. É um evento que rompe com a normalidade, mas ao mesmo tempo evidencia vulnerabilidades e decisões tomadas por pessoas que não estão em risco”, pontuou Capilé.
O pesquisador ressaltou que o debate sobre desastres precisa ocupar diferentes espaços da sociedade. “As pesquisas científicas precisam incentivar abordagens críticas e criativas para incrementar esse aprendizado. O assunto tem de estar na pauta dos principais debates da sociedade brasileira”, destacou.
A coordenadora local do festival e pró-reitora da UNIVALE, Adriana de Oliveira Leite Coelho, comemorou a participação do público e a interação registrada na primeira noite.
“A gente espera mais interação. Apesar dos bares serem locais movimentados e alegres, antes tínhamos dificuldade com relação aos ouvintes. Neste Pint 2026, procuramos mais aproximação com o público”, explicou.
Ela também ressaltou o impacto do evento para além da universidade. “Todo mundo precisa conhecer o que a instituição pesquisa, quais são as discussões e como isso impacta a vida das pessoas. A importância está justamente em sair das quatro paredes da universidade e ocupar o espaço público”, concluiu.












