Coordenação: Bruno Rangel Capilé de Souza | bruno.capile@univale.br
Colaboradores (as):
Discente (s) de Iniciação Científica:
Vigência: 20/04/2022 à 14/07/2025 | Apoio: FPF/UNIVALE|CNPq
Objetivos do Projeto
As sociedades humanas possuem uma diversidade de relações socioecológicas com rios e suas bacias hídricas, dotadas de valor econômico, político, cultural e espiritual. Nas cidades brasileiras, as margens dos rios foram intensamente disputadas por diferentes protagonistas em uma complexa rede de relações de poder. Em Governador Valadares (MG), a cidade possui uma relação histórica com a bacia do rio Doce e sua dinâmica de cheias e secas. A formação territorial propiciou uma diversa migração populacional que refletiu na heterogeneidade de seus usos sociais. Analisaremos como as relações sociais e ecológicas se deram ao longo do trecho do Rio Doce na cidade de Governador Valadares nas últimas quatro décadas. Nesse intervalo de espaço e de tempo, a sociedade valadarense transformou sua paisagem ribeirinha, assim como adaptou-se às suas dinâmicas fluviais - como na organização de redes de solidariedade durante eventos de crise nas grandes enchentes. As históricas relações entre a população ribeirinha valadarense e o rio Doce foram afetadas drasticamente com a chegada da lama tóxica da barragem de rejeitos de mineração da Samarco, em Mariana, no mês de novembro de 2015. Com o desastre-crime, os moradores atingidos vêm se organizando, junto a outros grupos sociais, de modo a reivindicar seus direitos e serem ouvidos. E desde o evento diversas instituições científicas têm desenvolvido pesquisas sobre as condições locais do solo, da água e da biodiversidade. De modo a compreender as relações socioecológicas e as transformações da paisagem fluvial serão utilizadas fontes históricas, dados científicos atuais, assim como entrevistas de valadarenses ribeirinhos, especialmente para dar voz aos atingidos pela lama da Samarco. E buscando construir coletivamente histórias futuras com o rio Doce, ocorrerá um curso de extensão para professores e agentes de turismo, e a articulação de moradores locais e o poder público para elaborar um projeto de conservação das margens do rio.