Mais de 70 participantes, entre estudantes, pesquisadores, professores de diferentes instituições de ensino superior e representantes de comunidades de terreiro de Governador Valadares acompanharam o seminário "Dentre Espaços: Território-Terreiro", realizado de forma online pela plataforma Google Meet.

O encontro integrou a programação do projeto de pesquisa Corpo-Território-Terreiro, desenvolvido em parceria entre o Mestrado em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades (Gecon), o Mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT) e o curso de Direito da UNIVALE. A convidada foi a professora Dra. Fernanda Cristina de Paula, docente do GIT e pesquisadora da área de Geografia.
Durante a palestra, a pesquisadora apresentou uma reflexão sobre o terreiro para além de seu caráter religioso, destacando-o como um território de existência, identidade, memória e resistência das populações afro-diaspóricas. A partir das contribuições da Geografia, foram discutidas as diferentes dimensões do território-terreiro, compreendendo tanto seu aspecto físico quanto seus significados simbólicos, culturais e políticos.
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Segundo o coordenador do Gecon, professor Bernardo Nogueira, o seminário encerrou o ciclo de debates promovido pela pesquisa Corpo-Território-Terreiro e reforçou a importância de ampliar o olhar sobre esses espaços.

"O debate trouxe a dimensão espacial do território-terreiro, mostrando como a Geografia tem tratado esse conceito. Trata-se de compreender não apenas onde essas comunidades estão localizadas, mas também o significado da luta pelo reconhecimento dos terreiros como práticas religiosas e como espaços de produção de saberes, de resistência, de epistemologias e de outras formas de compreender e habitar o mundo. São corpos e territórios que recuperam uma ancestralidade historicamente violentada pela colonialidade", destacou.
A apresentação também evidenciou que a produção acadêmica sobre os terreiros na Geografia ainda é limitada. O levantamento bibliográfico realizado pela pesquisadora identificou estudos voltados para temas como paisagens sagradas, territorialidades, relações étnico-raciais, intolerância religiosa e experiências corporais ligadas à ancestralidade, apontando a necessidade de ampliar as pesquisas sobre o tema.
Outro conceito abordado foi o de corpo-território-terreiro, que compreende o corpo como espaço de memória, ancestralidade e construção de mundos. Nessa perspectiva, o terreiro também é entendido como um território político e de pertencimento, onde se fortalecem identidades negras, redes de cuidado, saberes ancestrais e estratégias coletivas de enfrentamento ao racismo e às diferentes formas de exclusão.










