Discussões do Seminário Abayomi lembraram das marcas de mais de 300 anos em que o país foi estruturado a partir da escravidão de pessoas negras e indígenas
Reunindo movimentos sociais, instituições públicas, universidades, profissionais de setores como educação, saúde e justiça, além de comunidades tradicionais, o 3º Seminário do Coletivo Abayomi foi realizado quinta-feira (19) no campus 2 da UNIVALE, sob o princípio africano Ubuntu, “eu sou, porque nós somos”, reafirmando que o enfrentamento ao racismo precisa ser uma construção coletiva permanente. O seminário tem apoio e envolvimento de entidades comprometidas com a promoção da equidade racial, entre elas a UNIVALE.

Ao participar do evento, a reitora Lissandra Lopes Coelho Rocha salientou que a UNIVALE tem compromisso institucional com a diversidade e com o enfrentamento ao racismo. “Esse é um evento que a gente participa desde a primeira edição. A gente valoriza muito a diversidade, e é aqui na universidade que os diversos conhecimentos precisam ser discutidos. Essa rede, que é o Seminário Abayomi, é uma rede importante e que a cada ano vem crescendo. Em cada edição a gente percebe a amplitude do crescimento exatamente nessa discussão da temática afrodescendente e em temáticas diversas. É esse o nosso papel enquanto instituição comunitária”, destacou Lissandra.
A programação do Seminário Abayomi teve início com rodas de conversa e lançamento do livro “Racismo Recreativo: Isso não é brincadeira” na parte da manhã e, à tarde, 26 oficinas de capacitação, com direito a certificado. Durante o seminário foi sorteada uma bolsa para o mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT). Ao longo do dia, as discussões lembraram das marcas de mais de 300 anos em que o país foi estruturado a partir da escravidão de pessoas negras e indígenas.
Você pode se interessar por:
- UNIVALE recebe certificação do Selo ODS por iniciativas que contribuem para o desenvolvimento sustentável
- Edital UNIVALE N° 045/2026 - Complementar ao Edital UNIVALE N° 030/2026 — Processo Seletivo Complementar de Discentes Extensionistas Bolsistas para PIBID-UNIVALE
- Resultado — Edital UNIVALE N° 041/2026 - Processo Seletivo de Discentes Extensionistas para o Projeto de Extensão: “Fazeres Docentes: gestão da sala de aula”

A primeira roda de conversa do dia foi mediada pela integrante do Abayomi e mestranda no GIT, Jacqueline Françoa, tendo como convidada a quilombola capixaba Josiléia dos Santos do Nascimento, autora do livro “Saberes femininos e educação quilombola” – a obra estava sendo vendida durante o seminário. Léia, como é conhecida, falou sobre a importância da educação informal e transmissão oral de ensinamentos da ancestralidade quilombola.
“A gente sempre é resistência, nas comunidades quilombolas e terreiros, nas realidades em que vivemos. A gente é resistência na continuidade, resistência em levar adiante aquilo que nos foi confiado de geração em geração. No nosso meio, sempre aprendi com as mais velhas. Meu sentimento é de compartilhar esse saber rico, esse saber importante, esse saber que dá vitalidade a cada dia dentro do nosso território e em outras comunidades”, ressaltou Léia.

A continuidade desse legado passa pela próxima geração. Aos 17 anos, Ana Sofia Nascimento é integrante do Abayomi desde a infância. Ela é filha da coordenadora do Coletivo, Erika Benigna Nascimento. Para Ana Sofia, é um privilégio crescer fazendo parte do grupo.
“Eu me considero uma criança muito privilegiada, porque não é a realidade da maioria das crianças crescer com crianças pretas tão próximas. É algo muito distante, a gente não costuma ser tão representado na tevê. Crescer perto de crianças e mulheres pretas e ter essas referências foi muito importante para minha autoestima e para a construção de quem eu sou hoje. Queria que todo mundo tivesse esse privilégio”, afirmou Ana Sofia.











