Sumário
Visita do vice-cônsul à UNIVALE fortalece parceria para o desenvolvimento de pesquisas sobre fenômenos migratórios
O diplomata Ariel Seleme, vice-cônsul do Brasil em Houston, nos Estados Unidos, visitou a UNIVALE na quarta-feira (15) para discutir o endurecimento das políticas antimigratórias e de deportação adotadas pelo governo norte-americano. A conversa sobre a situação de estrangeiros nos EUA foi com as professoras Sueli Siqueira, Gláucia de Oliveira Assis e Sandra Nicoli, pesquisadoras do Núcleo de Estudos sobre Desenvolvimento Regional (Neder), laboratório vinculado ao mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT).
“Nosso Consulado está fazendo essa aproximação com a UNIVALE para escutar também as demandas, o que está acontecendo por aqui, e melhorar nosso serviço lá. Foi uma reunião muito produtiva e vamos ficar permanentemente em contato, a UNIVALE e Houston”, disse o vice-cônsul.

Ao comentar a atual política migratória dos EUA, Ariel Seleme avaliou que um país tem direito de deportar imigrantes que estejam em situação irregular. Porém, ele defende que as pessoas deportadas tenham a dignidade respeitada. “Todos os países têm suas políticas migratórias e, se a pessoa está ilegal, o país tem o direito da sua deportação. A gente pede que tudo seja feito da forma mais digna possível e com respeito, não criminalizando o imigrante ilegal. São pessoas que estão buscando uma vida melhor, trabalham muito e, na nossa colônia, os brasileiros não são pessoas que dão problema. São pessoas que trabalham, juntam dinheiro e mandam para as famílias aqui”, afirmou.
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O diplomata alerta que brasileiros no exterior precisam ter a documentação regularizada junto a consulados ou embaixadas, principalmente os que tenham se casado ou tido filhos após migrar.
“É preciso renovar o passaporte, fazer registro de nascimento dos filhos que tiverem lá, tirar passaporte dos filhos e até fazer o registro de casamento, se tiverem se casado lá. Porque, se por acaso a pessoa for deportada, ter essa documentação agiliza o processo e a pessoa fica detida por menos tempo. Outra coisa importante é fazer, no passaporte dos filhos, a autorização para viajar desacompanhado dos pais. Porque, caso o pai e a mãe sejam presos, o filho poderá voltar ao Brasil com outra pessoa, como um primo ou tio. É importante, principalmente para crianças, ter um vínculo com o Brasil. Se os pais forem deportados e a criança nasceu lá, para os Estados Unidos ele é um cidadão americano e pode ficar lá. Isso tem criado muito problema”, salientou o vice-cônsul.

E, em caso de prisão por estar ilegalmente nos EUA, o vice-cônsul enfatiza que a deportação é inevitável: “Estando ilegalmente nos Estados Unidos e tendo sido preso, não existe a possibilidade de sair dessa prisão via advogado. Tentar isso é gastar dinheiro à toa, porque não tem como reverter. Se a pessoa está ilegal e foi presa, vai ser deportada. A gente alerta, porque muitas vezes aparece um advogado oferecendo, a pessoa paga, de 20 mil a 25 mil dólares, e não acontece absolutamente nada, a pessoa acaba sendo deportada”.
Diplomacia brasileira e pesquisas da UNIVALE sobre migração
A professora Gláucia Assis considera a visita do vice-cônsul à UNIVALE como uma importante parceria para o desenvolvimento de pesquisas sobre fenômenos migratórios, incluindo a possibilidade de representantes do Itamaraty participarem de eventos que discutam questões que impactam a vida dos migrantes.
“A situação que os brasileiros têm enfrentado nos Estados Unidos tem sido muito precária, em função da política de deportações do governo Trump. Receber o Ariel foi importante para ver as medidas que o consulado tem tomado para, dentro das suas possibilidades, atender e orientar a população brasileira sobre como se proteger. O Neder já tem alguns contatos com o Itamaraty, porque a gente participa de audiências públicas e envia resultados de pesquisas. Mas o contato com os cônsules, que estão atendendo os migrantes, é importante para a gente saber demandas do dia a dia”, declarou a pesquisadora.










