Sumário
Evento foi realizado em parceria entre diversas instituições, entre elas a UNIVALE, e o Coletivo Abayomi, grupo criado para fortalecer a luta antirracista
Para consolidar uma rede de enfrentamento ao racismo e avançar no debate de questões raciais, o 2º Seminário do Coletivo Abayomi foi realizado nesta quarta-feira (26), no campus II da UNIVALE, instituição parceira na organização do evento. Com palestras, rodas de conversa, oficinas e intervenções culturais, o Seminário reuniu instituições, profissionais de educação básica, professores e estudantes universitários, debatendo interseccionalidades entre raça e temas como juventude, violência e questões de gênero.
Conforme a coordenadora do Coletivo Abayomi e egressa do mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT), Érika Benigna, grupos minorizados, como negros ou indígenas, não conseguem viver uma cidadania plena, porque existem uma série de impedimentos a acessos, em áreas como educação e saúde.
“A gente percebe, a partir de dados estatísticos, que o racismo no Brasil começa na primeira infância, e principalmente dentro da escola. Sou professora e acredito que a educação é o principal pilar para, de fato, conseguir combater o racismo desde a educação infantil, trabalhando com as crianças para ensiná-las sobre a igualdade. Todos somos diferentes, mas temos direitos iguais”, afirmou Érika, que também é historiadora e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Educação, Saúde e Direitos (Niesd), laboratório de pesquisas do GIT.

Durante a roda de conversa que abriu o Seminário, sobre direitos humanos, cidadania e raça, Érika lembrou que o Coletivo Abayomi foi criado para fortalecer a luta antirracista, com valorização da cultura afro-brasileira e da população negra, buscando a igualdade racial e de gênero. O primeiro seminário, realizado em 2024, aconteceu após o Ministério Público receber uma demanda coletiva sobre o combate ao racismo recreativo em escolas de educação básica do município. Com a união entre o Coletivo Abayomi e instituições parceiras, entre elas a UNIVALE, foram construídas ações de enfrentamento ao racismo.
Uma das participantes da primeira roda de conversa do Seminário foi Letícia Imperatriz, que é pesquisadora do Observatório Norte-mineiro em Violência de Gênero e mestranda em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Ela abordou a necessidade de promover mudanças estruturais na sociedade.
“A estrutura pode mudar de lugar, nós podemos transformar a sociedade. A gente sai do nosso lugar e consegue experienciar o lugar do outro. Com essa mudança, a gente percebe também que vamos saindo da nossa zona de conforto. Somos jogadas a todo instante em avenidas identitárias, que nos atribuem diversas situações de opressão. Eu não sofro preconceito somente por ser uma mulher trans, outras questões se acoplam no meu corpo e me trazem feridas e cicatrizes que só eu posso dizer. A gente percebe que algumas questões acontecem porque as pessoas que precisam de voz são silenciadas. Será que a gente se coloca no lugar do outro? Porque só pode falar das suas dores a pessoa que conhece suas cicatrizes”, ponderou Letícia.
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