Professores do mestrado profissional em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades (Gecon) participam de atividades de integração, formação e construção coletiva do programa
Nos últimos meses, os professores do mestrado profissional em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades (Gecon), da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), têm participado de uma série de encontros voltados à integração do corpo docente, ao aprofundamento teórico e à construção coletiva das propostas pedagógicas e científicas do novo programa de pós-graduação stricto sensu. A iniciativa marca uma etapa importante de preparação para a implantação do mestrado, aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e concebido a partir de uma perspectiva profissional e interdisciplinar.
Durante os encontros, o coordenador do Gecon, professor Bernardo Nogueira, apresentou aos docentes a estrutura e os fundamentos do programa, ressaltando a importância de uma formação capaz de compreender os conflitos para além de uma perspectiva exclusivamente jurídica. A proposta do mestrado parte da compreensão de que os conflitos atravessam diferentes dimensões da vida social e, por isso, demandam abordagens articuladas entre distintas áreas do conhecimento. Direito, educação, saúde, território, políticas públicas, relações sociais e outras áreas podem contribuir para a compreensão dos fenômenos conflitivos e para a construção de respostas socialmente contextualizadas.
Nesse sentido, o caráter interdisciplinar constitui um dos principais diferenciais do Gecon. A proposta é aproximar diferentes campos científicos e profissionais para compreender o conflito não apenas como um problema a ser eliminado, mas como um fenômeno social complexo, atravessado por diferentes dimensões, que pode revelar desigualdades, disputas, diferenças e, também, possibilidades de diálogo e transformação.
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Para o coordenador, a efetivação do Gecon passa, portanto, pela constituição de um corpo docente formado por pesquisadores e profissionais de diferentes áreas que, há anos, desenvolvem estudos, pesquisas e práticas relacionadas à temática dos conflitos. Essa trajetória confere aderência e coerência entre as experiências acadêmicas e profissionais dos docentes, a área de concentração do programa, suas linhas de pesquisa e o conjunto de disciplinas que estruturam a formação.
Essa articulação busca consolidar para o Gecon um perfil de egresso capaz de atuar profissionalmente na construção, implementação e avaliação de produtos, processos e tecnologias de gestão de conflitos que sejam inovadores, democráticos e socialmente responsáveis. A perspectiva é formar profissionais preparados para intervir em situações concretas, fortalecendo relações dialógicas entre pessoas, instituições públicas, empresas e organizações do terceiro setor, contribuindo para formas mais qualificadas de enfrentamento e gestão das complexidades presentes nas relações sociais.
Como parte desse processo formativo, o professor Valdicélio Martins dos Santos, coordenador do Núcleo de Práticas Inovadoras em Gestão de Conflitos (Nupigec), em parceria com o professor Diego Jeangregório, coordenador do Laboratório Integrador de Gestão de Conflitos e Políticas Públicas (Ligepo), organizou o I Seminário Continuado em Gestão de Conflitos. A atividade possibilitou que os docentes apresentassem suas trajetórias acadêmicas, linhas de pesquisa, referenciais teóricos e experiências profissionais, identificando pontos de aproximação e possibilidades de desenvolvimento de pesquisas e produtos interdisciplinares junto aos futuros mestrandos.

Para Valdicélio, o encontro representa um importante movimento de construção coletiva do conhecimento e de fortalecimento das práticas pedagógicas do Gecon. “O seminário nos permite compreender que a interdisciplinaridade não se estabelece apenas pela presença de professores de diferentes áreas em um mesmo programa. Ela se constrói no encontro, no diálogo e na capacidade de colocar em relação diferentes perspectivas teóricas e metodológicas diante de um mesmo fenômeno. Ao conhecermos as pesquisas, experiências e referenciais de nossos pares, ampliamos a possibilidade de construir novas perguntas, estabelecer conexões e desenvolver práticas pedagógicas e produtos que respondam às complexidades dos conflitos vivenciados em nossa sociedade”, explica.
Segundo o professor Diego, essa aproximação também contribui para que o Gecon consolide uma perspectiva de formação na qual teoria e prática estejam permanentemente articuladas. “A proposta de um mestrado profissional nos convoca a pensar o conhecimento para além de sua dimensão acadêmica. Precisamos produzir saberes que possam dialogar com os territórios, com as instituições e com os sujeitos envolvidos nos conflitos. Isso significa transformar a pesquisa em uma ferramenta de compreensão da realidade e, ao mesmo tempo, de elaboração de possibilidades concretas de intervenção e transformação social”, acrescenta.
A agenda de formação do corpo docente terá continuidade ao longo do semestre. Entre as próximas ações estão as “Aulas Magistrais”, momentos em que os próprios professores do programa compartilharão conhecimentos, pesquisas e experiências com os demais docentes. A iniciativa pretende ampliar o repertório teórico do grupo e favorecer o aprofundamento de temas relacionados à gestão de conflitos, fortalecendo a interlocução entre diferentes campos científicos.
Além das atividades formativas, os professores também estão envolvidos na produção de artigos científicos e em outras iniciativas de pesquisa, contribuindo para a consolidação da produção acadêmica do programa e para a circulação do conhecimento produzido pela UNIVALE. Com essas ações, o Gecon avança na construção de uma identidade acadêmica marcada pelo diálogo entre diferentes saberes, pela articulação entre teoria e prática e pela aproximação entre universidade e sociedade. A expectativa é que o edital para ingresso da primeira turma seja lançado ainda em 2026, com previsão de início das atividades acadêmicas em 2027.













