Estudos sobre o território da mineração no Vale do Ruhr contribuem para compreender formação histórica do Vale do Rio Doce
O coordenador do mestrado da UNIVALE em Gestão Integrada do Território (GIT), professor Haruf Salmen Espíndola, esteve no Vale do Ruhr, na Alemanha, entre os dias 7 e 12 de setembro. A visita técnica, conforme explicou o professor, fortaleceu relações com entidades parceiras na realização do Seminário Integrado do Rio Doce (Sird), organizado pelo GIT. Outro objetivo da viagem à Alemanha, relacionado a pesquisas feitas na universidade, foi conhecer o histórico de mineração e extrativismo em uma região importante para a Revolução Industrial no país.

Haruf teve a companhia, na Alemanha, do presidente do Fórum em Defesa da Bacia do Rio Doce, Wellington Moreira. Na cidade de Essen, eles estiveram na Adveniat, organização de ajuda humanitária para a América Latina e Caribe, vinculada à Conferência Episcopal Alemã. “O objetivo da visita foi agradecer o apoio dado ao Fórum de Defesa da Bacia do Rio Doce, a parceria com a UNIVALE, a realização do Seminário Integrado do Rio Doce e às romarias e manifestações em defesa do Rio Doce. O resultado foi muito satisfatório, pois renovou a parceria e financiamento por mais três anos”, ressaltou o coordenador do GIT.
A visita técnica à Alemanha, acrescentou Haruf, também estava ligada ao projeto de pesquisa sobre a formação histórica do Vale do Rio Doce e o território da mineração. O Vale do Ruhr, salientou o professor, foi o coração da Revolução Industrial da Alemanha, pois concentrava as gigantes mundiais da siderurgia e da indústria metalmecânica e química, base do poderio econômico e militar alemão no século XX.
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“Estive em diversas cidades da região, tais como Koblenz, Colônia, Essen, Bühl, Wuppertal e Aechen, entre outras, para compreender as dinâmicas atuais do neoextrativismo global, que aproximam as questões do Vale do Rio Doce a outras que ocorrem em diferentes partes do mundo, inclusive nos chamados países desenvolvidos. Na história do Brasil, na primeira metade do século passado, o objetivo era fazer da região do Vale do Rio Doce o Vale do Ruhr da América do Sul, pela implantação do complexo minero-metalúrgico, sustentado por grandes usinas siderúrgicas”, explicou.
Haruf ainda buscou informações sobre os impactos que a economia do Vale do Ruhr enfrenta, devido a transformações globais a partir da década de 1960. “Depois de muitas dificuldades econômicas, desemprego e migração, a Região do Ruhr passou por um intenso processo de reconversão econômica, centrada na inovação tecnológica, economia verde, ensino universitário e centros de pesquisa. Em 2018, a última mina de carvão mineral (hulha) foi fechada, mas a região continua a explorar o carvão linhito da mina a céu aberto de Garzweiler, no distrito de Colônia, com baixíssima eficiência energética. É o menos eficiente combustível fóssil, cujo uso só se justifica pela abundância local, baixo custo de extração e por não ter custo de transporte, devido a utilização em usinas termoelétricas junto às minas. A expansão das minas a céu aberto de exploração do carvão linhito está provocando a destruição de vilarejos históricos, atingindo populações tradicionais e acabando com as últimas reservas florestais”, destacou.

A preservação ambiental no Vale do Ruhr foi outro ponto observado pelo coordenador do mestrado da UNIVALE. Haruf esteve na unidade de conservação do que resta da Floresta de Hambach, entre Colônia e Aachen. Ele relata que, após muitas árvores serem derrubadas por uma empresa de energia, ativistas ocuparam a floresta com casas nas árvores.
“Em 2018, a polícia promoveu a desocupação por meios violentos, porém a repercussão mundial foi tão forte, que o governo tornou a floresta uma unidade de conservação, em 2020. A luta é contra as operações da empresa de energia RWE, que extrai quantidade gigantescas de água, provocando a desertificação da região, com grande risco de um desastre socioambiental, particularmente pelo rebaixamento do lençol freático. O ressecamento do solo da floresta faz com que as árvores milenares sofram severamente com o estresse hídrico e o calor gerado pelos buracos da mineração. Estas situações conflituosas com comunidades rurais e com áreas de proteção ambiental nos aproxima, pois na Bacia do Rio Doce, e em Minas Gerais, se enfrenta situações e conflitos socioambientais que colocam em risco a paisagem biocultural, a biodiversidade e a diversidade cultural, sem as quais não haveria futuro sustentável para a humanidade”, afirmou o professor.













