Aos ouvintes do programa “Direito na tela”, Bernardo Nogueira ainda recomendou outras três obras: o também nacional “Que horas ela volta?” e as produções “História de um casamento” e “Você não estava aqui”

Membro honorário da Rede Brasileira de Direito e Literatura, o professor Bernardo Nogueira – que leciona na UNIVALE no curso de Direito e no mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT) – foi convidado do programa “Direito na tela”, da Rádio Justiça, na sexta-feira (20), para fazer análise jurídica de filmes. Na entrevista, ele comentou “O Agente Secreto”, representante brasileiro no Oscar deste ano, e recomendou outras três obras: o também nacional “Que horas ela volta?” e as produções “História de um casamento” e “Você não estava aqui”.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, “O Agente Secreto” mostra a história de um professor universitário e pesquisador que, em 1977, foi forçado a trocar de identidade após sofrer perseguição de um empresário com quem teve um confronto por causa de suas pesquisas. Bernardo Nogueira traçou um paralelo com “Ainda estou aqui”, de Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, premiado em 2025 com o Oscar de Melhor Filme Internacional. O longa-metragem de Kleber Mendonça Filho disputa o Oscar de 2026 em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Elenco.

“É um filme que se passa dentro do regime ditatorial, tem um professor como figura central e traz um debate sobre silêncio, sobre medo, sobre resistência e sobre abuso de poder, e perpassa a história do nosso país. Assim como o ‘Ainda estou aqui’, é um filme que representa um momento muito fértil do cinema nacional, de um olhar um pouco mais cuidadoso para nossa história e nossa memória. São filmes que corajosamente olham traumas do nosso país e dão oportunidade de elaborá-los de maneira mais adequada. Um povo que olha para suas memórias e seus traumas tem a oportunidade de reelaborá-los, quase uma psicanálise histórica, e esses filmes são obras que vão cuidar da nossa história. Quando um povo cuida da sua história, está cuidando das possibilidades de futuro que está construindo também”, comentou o professor da UNIVALE.
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Ao indicar filmes que travam diálogo com temas jurídicos, uma das obras escolhidas por Bernardo para o programa “Direito na tela” foi outra produção brasileira, “Que horas ela volta?”, de 2015, dirigido por Anna Muylaert. “É um filme muito pedagógico no que diz respeito à história do nosso país, e em todas essas nuances que compõem nossa sociedade”, avaliou o docente. O filme foi selecionado por tratar temas como a regulamentação do trabalho doméstico.
“O filme trata de uma empregada doméstica em São Paulo, e a filha vai morar com essa empregada na casa dos patrões. Temos aí todas as tensões que estão presentes em uma dimensão de conflito de classes, desigualdade e hierarquia familiar. Tudo isso está impregnado no enredo deste filme. Mas diretamente, pensando na parte jurídica, temos aí uma questão de Direito do Trabalho. A legislação que regulamenta o trabalho doméstico é até recente, em que pese sua necessidade. Também podemos colocar a garantia da dignidade das pessoas, pensando por exemplo no acesso à educação, pensando nas distinções de classe colocadas no pano de fundo do filme e que compõem a própria formação do imaginário brasileiro”, afirmou.

Entre os filmes estrangeiros recomendados pelo professor para os ouvintes do programa “Direito na tela”, a produção “História de um casamento”, de 2019 e dirigida por Noah Baumbach, aborda assuntos como Direito de Família, ao mostrar um casal que decide se separar. A atriz Laura Dern ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e o longa-metragem ainda concorreu em outras quatro categorias, incluindo a de Melhor Filme.
“Nem sempre, mas muitas vezes o final das relações acaba desembocando no Poder Judiciário. E esse filme tem uma nuance muito interessante, porque há um debate acerca da maneira como esse conflito conjugal deve ser resolvido. Existe uma multidimensionalidade, porque é um problema do direito das famílias, do direito das sucessões, e vai resvalar nos direitos da criança, porque tem um filho envolvido. Mas o que mais chama a atenção nesse filme em especial é sem dúvida nenhuma a possibilidade da resolução ou tratativa desse conflito tendo a mediação como pano de fundo. Hoje em dia nós temos um sem fim de possibilidades de construção de saídas, que vão para além da porta do Poder Judiciário, e uma dessas possibilidades é a da mediação”, declarou.

A outra obra indicada por Bernardo Nogueira na entrevista ao programa “Direito na tela” foi “Você não estava aqui”, de 2019 e dirigida por Ken Loach, que fala sobre como a precarização nas relações de trabalho compromete a dignidade humana.
“O pano de fundo vai ser definitivamente nas dimensões de uma ideia de neoliberalismo, que é essa racionalidade que acompanha a sociedade nos dias de hoje. E que vai desembocar juridicamente naquilo que vem sendo chamado de precarização do mundo do trabalho, e isso vai gerar uma série de dificuldades econômicas, psicológicas e sociais. Isso traz também efeitos para as famílias das pessoas. É uma boa forma de percebermos a precarização da legislação trabalhista e a ausência de atenção aos direitos sociais. Ken Loach traz nessa obra cinematográfica um desenho também multidimensional, porque trata de questões éticas, psicológicas, sociais e afetivas”, avaliou Bernardo.








