Encontro Nepso reuniu sete grupos de estudantes, de diferentes cidades mineiras, para apresentar pesquisas de campo sobre temas urgentes da sociedade
Por Mônica Terezinha Coelho do Carmo
No dia 21 de setembro, ocorreu em formato on-line o Encontro Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (Nepso), que reuniu sete grupos de estudantes, provenientes de diferentes cidades de Minas Gerais: Belo Horizonte, São João Del Rei, Uberaba, Lavras Novas/Ouro Preto e Governador Valadares. Com um forte compromisso com a inclusão, o evento contou com o acompanhamento de dois intérpretes de Libras, para garantir a acessibilidade de um grupo de meninas surdas da capital mineira.
A professora Maria Celeste Fernandes, coordenadora do projeto, ressalta o quanto o encontro é um momento especial para que as meninas, de cada um dos grupos, contem sobre que estão fazendo em suas pesquisas. “É um espaço rico para acolhidas, aprendizagens e encontros felizes, ainda que virtuais”, afirma a docente.
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A abertura das apresentações foi conduzida pelo grupo de Belo Horizonte, vinculado ao projeto “Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas”. O trabalho trouxe a discussão dos doramas e da cultura sul-coreana no cotidiano dos jovens, abordando relacionamentos e laços familiares, por meio de entrevistas realizadas com 16 pessoas surdas.
Na sequência do Encontro Nepso, estudantes de Lavras Novas abordaram a depressão na adolescência. Com base em 110 entrevistas aplicadas na Escola Estadual de Ouro Preto, o grupo defendeu que o sofrimento psíquico não é “frescura”, mas sim uma condição séria, que exige diálogo, acolhimento e coragem para buscar ajuda profissional.

A violência de gênero ganhou destaque nas pesquisas conduzidas por estudantes de São João Del Rei: o grupo The Flowers analisou a percepção social sobre a violência contra a mulher. Após ouvirem 40 pessoas, as pesquisadoras destacam que a pergunta mais desafiadora envolveu o papel da sociedade na perpetuação da violência de gênero.
Já o grupo Black Girls, da Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa, trouxe para o Encontro Nepso a discussão sobre a gravidez na adolescência, tema considerado por elas ainda pouco debatido no meio comunitário local. O grupo aplicou 260 questionários, entre alunos e funcionários na mesma instituição.
Em Governador Valadares, o grupo Amina, da Escola Estadual Abílio Patto, apresentou um estudo focado no trabalho das catadoras de materiais recicláveis. As estudantes visitaram uma associação da cidade, entrevistaram 27 trabalhadoras e utilizaram planilhas digitais para calcular porcentagens e construir gráficos, além de vivenciarem experiências acadêmicas no campus da UNIVALE através do projeto Roda de Saberes, programa da UNIVALE TV e o Encontro da Comunidade com o GIT (ComGIT), do mestrado vinculado à universidade.

Na mesma cidade, a Escola Estadual Quintino Bocaiuva, com grupo Girls Power, investigou como o racismo afeta a autoestima e a saúde mental dos jovens. A pesquisa levada ao Encontro Nepso contou com a participação de 63 estudantes do 3º ano do ensino médio. O tema foi escolhido pelas vivências das jovens pesquisadoras, e a ideia é a percepção do outro sobre o tema racismo e como agem diante da temática.
Por sua vez, o grupo Dinominas, da Escola Estadual Santa Terezinha, em Uberaba, direcionou seu estudo para a representatividade de gênero e raça no jornalismo. A escolha do tema desdobrou-se a partir da repercussão das denúncias feitas pelo influenciador Felca, sobre a exploração de menores na internet, ampliando-se posteriormente para a discussão sobre racismo. A pesquisa resultou na aplicação de 200 questionários, com estudantes entre 15 e 19 anos.

O encerramento do Encontro Nepso foi marcado por reflexões sobre o livro Querido Estudante Negro, com um relato apresentado pela jovem pesquisadora Lívia, de Governador Valadares, abordando identidade, educação e antirracismo. O evento foi finalizado com a exibição de um vídeo temático, produzido pelo grupo de Uberaba sobre a obra.
Os grupos que reúnem mulheres e meninas pesquisadoras fazem parte do projeto de pesquisa “Meninas da educação básica, graduandas e professoras nas áreas de Ciências Exatas apropriando-se de estratégias de pesquisa de opinião e constituindo-se como produtoras de conhecimento sobre as relações entre gênero, raça e matemática”, financiado pelo CNPq, processo nº 440467/2024. Essa e outras atividades do projeto podem ser acompanhadas pelo perfil @nepsodasminas no Instagram.












