Professor no curso de Direito e pesquisador no Observatório Interdisciplinar do Território (Obit), laboratório do mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT) na UNIVALE, Diego Jeangregório Martins Guimarães foi um dos especialistas convidados para a mesa-redonda “Rio Doce – o que aprendemos?”, quando os participantes do debate examinaram os desdobramentos do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, no dia 5 de novembro de 2015. A discussão, ocorrida dia 21 de fevereiro em Vitória, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), aconteceu na Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que teve o tema central “Clima e Oceano: a urgência de construir um futuro sustentável”.

Além de ter provocado 19 mortes em Mariana, os 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos liberados na Bacia do Rio Doce causaram impactos no meio ambiente e no cotidiano dos moradores de municípios mineiros e capixabas que integram a bacia. Em sua fala na reunião da SBPC, o professor Diego Jeangregório analisou o modelo de reparação adotado pela mineradora. “As ações de reparação, ao invés de repararem os danos do desastre, pelo contrário, intensificaram os danos e criaram novos danos, novos conflitos e novos impactos. Esse modelo se mostrou insustentável, depois de passados nove anos. No final do ano passado foi feito um acordo de repactuação, construindo um novo modelo de reparação integral pelos próximos 20 anos”, frisou Diego.
O docente considera que a mesa-redonda na reunião da SBPC produziu uma discussão muito rica, devido ao encontro de profissionais altamente qualificados. Diego Jeangregório enfatiza que a UNIVALE foi chamada a fazer parte do debate devido às pesquisas da instituição sobre o tema e também por causa da atuação da universidade junto aos atingidos.

“O que nós aprendemos com o Rio e Doce é justamente em razão do nosso trabalho, no Seminário Integrado do Rio Doce e também com uma atuação ativa junto aos órgãos e as comissões de atingidos, entidades locais e lideranças comunitárias. Essa aproximação que a gente tem da universidade e da comunidade, buscando construir conjuntamente um diálogo permanente com os órgãos e as instâncias de tomadas de decisão, é para chegar a soluções para um dos maiores problemas que afetam a nossa região”, observou o pesquisador.
Carta de Vitória da SBPC
A mesa-redonda com a participação do professor Diego Jeangregório aconteceu no último dia da reunião regional da SBPC, e ao final do evento o conselho e a diretoria da entidade divulgaram a “Carta de Vitória”, manifesto sobre ações de sustentabilidade, como transição energética urgente e a promoção da justiça social frente aos extremos climáticos.
O documento da SBPC, endossado por mais de 30 outras organizações científicas, foi produzido em função da COP 30, conferência climática que a Organização das Nações Unidas (ONU) realizará no Brasil, ainda em 2025. “A Carta de Vitória traz algumas premissas e alguns princípios. Ela foi encaminhada para o Ministério das Relações Exteriores em razão da COP 30, que é a conferência da ONU para questões ambientais, que vai ser em Belém, aqui no Brasil, este ano”, enfatizou o professor da UNIVALE.