Coordenação: Bernardo Gomes Barbosa Nogueira | bernardo.nogueira@univale.br
Colaboradores(as):
Discente(s) de Iniciação Científica:
Vigência: 01/02/2026 à 01/02/2028 | Apoio: FPF/UNIVALE
Objetivos do projeto:
Esta pesquisa adota uma abordagem interdisciplinar e encruzilhada para investigar as manifestações de saberes, cultos, memórias, práticas, artes e vozes ligadas às religiosidades afrodiaspóricas no território de Governador Valadares/MG. Parte-se da noção de corpo-território, conforme desenvolvida nos estudos territoriais descoloniais, entendendo o corpo como espaço político, afetivo e simbólico, simultaneamente atravessado pela dominação e mobilizado na resistência. Em diálogo com a Filosofi a Popular Brasileira, proposta por Rafael Haddock-Lobo (2022), e com os pensamentos de Luiz Rufi no e Luiz Antônio Simas, a pesquisa valoriza os saberes situados, a oralidade, o encanto, a memória e as pedagogias da invenção. A encruzilhada é aqui compreendida não apenas como imagem, mas como método e epistemologia: lugar de transgressão ao pensamento hegemônico, onde se cruzam temporalidades, linguagens, vivências e espiritualidades. A investigação ancora-se também nos aportes da desconstrução derridiana, especialmente nas ideias de hospitalidade, litoralidade e diff érance, compondo uma fi losofi a encarnada que se pensa entre margens e fronteiras. A partir disso, propõe-se a constituição da imagem-operatória do corpo-território-terreiro — expressão que sintetiza o entrelaçamento entre corpo, espaço e espiritualidade como forma de (re)existência e invenção diante da colonialidade. Inserido no Programa de Pós-Graduação em Gestão Integrada do Território (GIT/UNIVALE), o estudo busca escutar as vozes interditadas das religiões afrodiaspóricas, compreendendo-as como fi losofi as encarnadas que tecem saberes e resistências. Em vez de apenas nomear, o projeto se deixa atravessar por essas experiências, reconhecendo nelas a potência de um pensamento miúdo, encruzilhado e encantado, que reencanta o território e rasura os paradigmas coloniais ainda vigentes.





