PortugueseSpanishEnglish
Marca da Univale azul em fundo branco
Menu
Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

Curso de Pedagogia leva estudantes a território para ouvir crianças e compreender suas formas de viver a cidade

05 outubro, 2026

Disciplina Práticas Educativas com Crianças articula ensino, pesquisa e extensão e aproxima futuras pedagogas das experiências e dos saberes produzidos pelas infâncias

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

Compreender a cidade a partir do olhar das crianças. Esse é um dos principais objetivos da disciplina Práticas Educativas com Crianças, desenvolvida com estudantes do 3º período do curso de Pedagogia da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), no segundo semestre de 2026. A proposta parte de uma concepção de infância que reconhece as crianças como sujeitos de direitos, produtoras de conhecimentos, culturas e territórios e participantes ativas da vida social.

Ao levar as estudantes para fora da universidade, a disciplina propõe um movimento de aproximação com os territórios onde as crianças vivem, circulam, brincam e estabelecem relações. A iniciativa também integra o processo de curricularização da extensão, que busca fortalecer a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e aproximar a formação universitária das demandas e realidades da comunidade.

A proposta considera que reconhecer as crianças como sujeitos de direitos significa também reconhecer seus saberes sobre os lugares que habitam. As crianças não são apenas usuárias dos espaços urbanos: elas atribuem sentidos aos lugares, criam formas próprias de circulação, estabelecem relações, transformam espaços em territórios de brincadeira e convivência e produzem conhecimentos a partir de suas experiências cotidianas.

Para o professor Valdicélio Martins dos Santos, responsável pela disciplina, essa perspectiva provoca uma mudança importante na maneira de compreender a atuação do pedagogo. “Quando reconhecemos a criança como sujeito de direitos, precisamos também reconhecer sua capacidade de produzir conhecimento sobre o mundo e sobre os territórios que habita. A cidade não é apenas aquela que os adultos planejam para as crianças. As crianças também produzem a cidade a partir de suas experiências, de suas brincadeiras, de seus deslocamentos, de suas relações e das formas como ocupam os espaços”, explica.

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

Do mapa da universidade ao território das crianças

O primeiro movimento da disciplina foi realizado ainda em sala de aula, quando as estudantes mapearam os bairros onde vivem. A partir desse levantamento, e de uma construção coletiva, foi escolhido o bairro Sion como território de investigação e desenvolvimento das práticas educativas ao longo do semestre.

A primeira visita ao bairro teve como objetivo observar o território e compreender suas características. Acompanhadas pelo professor, as estudantes percorreram diferentes espaços, identificando locais frequentados pelas crianças, equipamentos públicos e privados, áreas de convivência, espaços de circulação e possibilidades para o desenvolvimento de atividades pedagógicas.

A observação, entretanto, não pretendeu apenas identificar “o que existe” no bairro. O exercício buscou compreender como o território é vivido, quais relações são estabelecidas nele e quais possibilidades oferece, ou limita, para as experiências das crianças.

A experiência também provocou reflexões entre as próprias estudantes. Para Claudiana, a atividade possibilitou perceber aspectos do cotidiano que, muitas vezes, passam despercebidos. “Foi uma manhã incrível. Parece que, a cada dia que passa, nossos olhos são mais abertos para perceber as realidades que eram imperceptíveis”, ela disse.

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

A aluna Gislaine também destacou a dimensão afetiva e formativa da experiência: “Que experiência linda e cheia de significado. Aprender também é caminhar, observar, sentir e compreender o lugar onde estamos. A mangueira, encontrada no trajeto, se tornou parte da nossa história e nos mostrou, na prática, que a educação ultrapassa os muros da sala de aula”.

Os relatos evidenciam uma dimensão importante da proposta: a possibilidade de aprender com o próprio território. Ao caminhar pelo bairro, observar seus espaços e estabelecer relações com os lugares, as estudantes passam a perceber que os processos educativos também acontecem nas experiências cotidianas e nas relações que as pessoas constroem com os espaços que habitam.

“O território precisa ser compreendido como algo que ultrapassa a dimensão geográfica. Ele é também afetivo, cultural, social e político. Quando uma criança brinca em determinado espaço, cria uma relação com aquele lugar e atribui a ele significados. Por isso, observar um território com as futuras pedagogas significa ensiná-las a perceber aquilo que muitas vezes não aparece nos mapas oficiais: os caminhos das crianças, os lugares de encontro, os espaços de brincadeira, os lugares de pertencimento e também as barreiras que dificultam sua circulação e participação”, destaca Valdicélio.

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

Escutar para conhecer

O segundo momento da proposta está previsto para outubro, quando as estudantes terão contato direto com as crianças que vivem no território pesquisado. A etapa será dedicada ao desenvolvimento de metodologias de escuta, criando condições para que as próprias crianças possam apresentar suas percepções sobre o bairro, seus espaços preferidos, suas experiências e os desafios encontrados no cotidiano.

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

A ideia é que as alunas  não cheguem ao território com respostas prontas, mas aprendam a construir perguntas e estratégias capazes de favorecer a expressão das crianças. Para o professor, esse processo é fundamental para a formação das futuras pedagogas. “Escutar uma criança não significa simplesmente perguntar o que ela pensa. Significa criar condições para que sua voz seja considerada na produção do conhecimento. A escuta exige disponibilidade, sensibilidade e, principalmente, disposição para reconhecer que aquilo que a criança diz sobre seu território possui valor. Quando uma criança aponta um lugar como importante para brincar, um caminho como perigoso ou um espaço como pertencente às suas experiências, ela está produzindo uma leitura social da cidade”, afirma o docente.

Em novembro, será realizada a terceira etapa do projeto, com brincadeiras escolhidas pelas próprias crianças. Dessa maneira, o brincar deixa de ser compreendido apenas como uma atividade recreativa e passa a ser também uma importante forma de expressão, participação, criação e produção cultural das infâncias.

Formar pedagogas para além dos muros da escola

A experiência possibilita às estudantes compreenderem que a atuação do pedagogo não está restrita ao espaço escolar. A formação profissional também envolve a capacidade de observar territórios, compreender contextos sociais, reconhecer diferentes formas de infância e elaborar propostas educativas em espaços diversos.

A disciplina dialoga, assim, com um dos princípios fundamentais da extensão universitária: aproximar o conhecimento produzido na universidade das realidades sociais, ao mesmo tempo em que os conhecimentos produzidos pelas comunidades também passam a integrar os processos formativos da universidade.

“Essa experiência nos ajuda a superar uma visão escolarizada da Pedagogia. O pedagogo pode atuar na escola, mas também pode construir projetos em praças, equipamentos públicos, instituições sociais, espaços culturais e diferentes territórios onde as crianças estão presentes. Quando colocamos as estudantes em contato com essas realidades, estamos formando profissionais capazes de compreender as infâncias em sua pluralidade e de construir propostas educativas que considerem as crianças em seus diferentes contextos de vida”, ressalta Valdicélio.

Foto com estudantes de Pedagogia em atividade da disciplina Práticas Educativas com Crianças

Para ele, um dos aspectos mais importantes da proposta é possibilitar que as vozes infantis sejam reconhecidas em discussões que historicamente foram conduzidas predominantemente pelos adultos. “As decisões sobre a cidade, seus espaços e seus equipamentos geralmente são tomadas pelos adultos. Entretanto, as crianças também vivem essa cidade. Elas sabem onde brincam, por onde circulam, onde se sentem acolhidas, onde encontram dificuldades e quais espaços gostariam de transformar. Ouvir essas vozes é também reconhecer sua cidadania e sua participação na construção da vida coletiva”, afirma.

Ao longo do semestre, a disciplina pretende, portanto, construir uma experiência de formação em que universidade, território e infância estejam em diálogo. Para as estudantes do 3º período de Pedagogia da UNIVALE, o percurso representa uma oportunidade de aprender com as crianças e com os territórios, transformando a extensão em uma experiência concreta de formação profissional e de compromisso social.

Gostou? Compartilhe!

Assine nossa newsletter


Receba notícias sobre: vestibular, editais, oportunidades de bolsa, programas de extensão, eventos, e outras novidades da instituição.

"*" indica campos obrigatórios

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
Nome*

Você também pode se interessar por:

Logo Selo ODS Educação - Ciclo 2025Selo Rede ODS Brasilselo UNESCO MOST BRIDGESSelo Brave, concedido pela Associação Brasileira de Educação Internacional (Faubai),selo de responsabilidade social das IES 2025 - 2026
UNIVALE
Cursos
Campus Armando Vieira

Rua Juiz de Paz José Lemos, 695 – Vila Bretas, CEP: 35030-260, Governador Valadares/MG
(33) 3279-5200
Campus Antônio Rodrigues Coelho

Rua Israel Pinheiro, 2000 – Universitário, CEP: 35020-220, Governador Valadares/MG  
(33) 3279-5500Outros endereçosContatos
®Copyright 2000 – 2026 | Fundação Percival Farquhar (33) 3279-5500 / (33) 3279-5200 | CNPJ: 20.611.810/0001-91
magnifiercrossmenuchevron-down