Uso da expressão “Axé que educa” questiona saberes eurocêntricos do cenário educacional brasileiro
O projeto de pesquisa “Corpo-Território-Terreiro: territorialidades, religiosidades, vozes, cultos, artes e saberes por vir”, da UNIVALE, realizou de forma on-line seu 2º Seminário no dia 20 de maio, com o tema “O Axé que educa – terreiros, multiterritorialidades negras e o enfrentamento à colonialidade”. Na oportunidade, o psicólogo Júlio Cezar Santos Gomes, que também é mestrando em Gestão Integrada do Território (GIT), abordou a decolonialidade em religiões de matriz africana, desenvolvendo reflexões sobre religiosidades afrodiaspóricas, territorialidades e práticas culturais, enfatizando o terreiro como espaço de produção de saberes, resistência e reexistência.
A ancestralidade africana norteou discussões que, com o uso da expressão “Axé que educa”, questionaram saberes eurocêntricos do cenário educacional brasileiro. O mestrando Júlio Cezar destacou a forma de resistência trazida por conhecimentos africanos e nativo-brasileiros, que empoderam grupos marginalizados e valorizam as experiências e os saberes das comunidades negras, povos originários, terreiros e periferias, os consolidando como fontes de sabedoria e aprendizado.
“Durante esse segundo seminário, eu quis propor uma reflexão e um incômodo, justamente sobre como a colonialidade nos coloca dentro de moldes desumanizantes e eurocentrados de perceber o mundo. Pensar o Axé que educa é justamente pensar nessa força motriz que nos envolve e que a gente não consegue materializar. A gente não consegue pegar, mas a gente consegue sentir como esse Axé pode ser força para o enfrentamento a essa colonialidade”, observou Júlio Cezar.
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A proposta de discutir enfrentamento à colonialidade no seminário, enfatiza o mestrando, era buscar o Axé como força da ancestralidade, capaz de agir para superar barreiras e reeducar sob uma nova ótica. Júlio Cezar acrescenta que seu objetivo foi introduzir a ideia de Axé como mais uma ferramenta para mudar mentalidades, posicionamentos e posturas, valorizando saberes e conhecimentos que ao longo da história foram contados de forma subalternizada.
“É para a gente pensar justamente não só em uma mudança de perspectiva teórica, mas também de um movimento que busca descolonizar pensamentos, imaginários, ideais e as práticas institucionais que ainda hoje reverberam o racismo, a normatividade cis-hétero, o patriarcado e a misoginia. Todo o intuito do encontro era ter uma troca e conversar com os participantes a partir dessa importância de questionar como a gente aprende e quem nos ensina”, afirmou.
O 2º Seminário Corpo-Território-Terreiro foi pensado a partir de uma perspectiva interdisciplinar e decolonial, buscando compreender o território não apenas como espaço físico, mas como dimensão viva, atravessada por corpos, espiritualidades, práticas culturais e modos de existência. O iniciativa integra o grupo de estudos do mestrado em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades (Gecon), além do projeto “Territorialidades, Vulnerabilidades e Resiliências”, vinculado ao Núcleo Interdisciplinar de Educação, Saúde e Direitos (Niesd, um laboratório do GIT).















