Pesquisa do docente analisou dissertações produzidas no GIT e tratou de dimensões de conflitos em outros trabalhos do mestrado

Docente no curso de Direito e agora também no novo mestrado profissional da UNIVALE, em Gestão de Conflitos, Direitos e Humanidades (Gecon), o professor Felipe Miranda dos Santos foi convidado do programa Ed. Pesquisa, da UNIVALE TV, para refletir sobre a própria produção científica dentro da universidade. Advogado e mestre em Gestão Integrada do Território (GIT), ele conversou com o professor Edmarcius Carvalho, apresentador do programa, sobre a dimensão conflitual do território.
“Quando pensamos em conflito, a primeira reação costuma ser o desejo de eliminá-lo. Queremos harmonia, paz e ordem. Mas a ciência do território nos traz uma provocação: e se o conflito for, na verdade, uma dimensão necessária da vida em sociedade? Como as pesquisas científicas produzidas aqui na nossa região enxergam as disputas por espaço, poder e direitos?”, indagou Edmarcius, na abertura do programa.
Felipe, que ao cursar o GIT pesquisou sobre a história do próprio mestrado, analisou dissertações produzidas no programa de pós-graduação e tratou de dimensões de conflitos em outros trabalhos do mestrado. “Expressões de poder, disputas sobre bens, objetos, coisas e símbolos. Tudo isso estava ali, latente, exigindo atenção maior”, avaliou Felipe.
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Na conversa, o professor Edmarcius questionou se há territórios nos quais não haja conflitos. “Essa é uma discussão interessante, porque estudar o território é ir muito além do espaço físico. No nosso senso comum, não diferenciamos território, paisagem ou espaço. O que, no estudo da Geografia, constitui categorias muito próprias. E uma concepção que se tornou muito consolidada nos estudos territoriais é que o espaço, quando é territorializado, é porque ali se estabeleceram relações de poder e cenários de disputas, pelos quais alguém domina aquele espaço. Sob essa perspectiva, enxergar o território, nesta dimensão, exigiria um cuidado a mais. Então é possível afirmar que em todo território, antes de ser território, é conflito. Justamente porque começam essas disputas e é necessário estabelecer uma demarcação”, respondeu o professor do novo mestrado da UNIVALE.

Em sua pesquisa, Felipe constatou que as fontes de conflitos pesquisadas no GIT incluem a dimensão ambiental, disputas por terra, questão educacional e sistema de Justiça. Ele pondera que, ao contrário do que muitas vezes é tido pelo senso comum, o conflito não é, necessariamente, algo ruim. O docente percebe os conflitos como oportunidades para melhorias e para promover inclusão.
“Nós naturalizamos a ideia de que o conflito é uma coisa ruim, algo que incomoda ou que atrapalha. Ou seja, conflito é algo que perturba o que está funcionando bem. Mas conflito não é isso, conflito é oportunidade de mudança e de inclusão. Nós resolvemos disputas e controvérsias, muitas vezes, sem incluir as pessoas que serão diretamente afetadas por uma decisão ou política pública. Sobretudo sujeitos vulnerabilizados, econômica, social ou identitariamente, que passam agora a serem incluídos em uma visão mais ampla de qualquer conflito. Uma política pública é definida em um gabinete, e as pessoas afetadas, em regra, não discutem essa política pública, e dali vão sair ranhuras”, afirmou.
Ao comentar o novo mestrado da UNIVALE, que se dedica a uma abordagem profissional e interdisciplinar de conflitos, Felipe observa que o Gecon tem como objetivo a resolução de problemas práticos, com a profundidade exigida em um programa de pós-graduação stricto sensu.

“O Gecon surge como uma nova proposta, com um programa profissional e também interdisciplinar, tendo o conflito como sua lente principal para enxergar a dinâmica social, local e regional. E isso não exclui o território, mas o conflito passa a ser o ator principal. Se, na minha dissertação, procurei buscar a dimensão conflitual do território, talvez no Gecon alguém possa buscar a dimensão territorial do conflito. O Gecon inaugura múltiplas possibilidades de enxergar essas dinâmicas sob uma lente conflitual, e não necessariamente como uma lente ruim. Mas como uma lente de possibilidades de mudança e de promoção democrática. Porque permite incluir, na análise de fenômenos do cotidiano da vida social, atores e instituições que não participavam, ou não tinham relevância na construção de políticas públicas e tecnologias sociais que buscam melhorar as vidas das pessoas”, ponderou o professor.











