Pesquisas apresentadas na 17ª Reunião Regional da Anped fizeram parte dos grupos de trabalho sobre Educação Ambiental e sobre Gênero, Sexualidade e Educação
A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) realizou sua 17ª reunião regional do Sudeste entre os dias 8 e 11 deste mês, na Universidade de São Paulo (USP). Trazendo a comunidade acadêmica para debater o tema “Educação como direito e a questão da soberania: conhecimento, equidade e financiamento”, o encontro promoveu reflexões e diálogos sobre desafios da educação brasileira, e dois professores da UNIVALE apresentaram trabalhos na 17ª Reunião Regional da Anped Sudeste, Renata Greco de Oliveira e Thiago Martins Santos.

Docente nos cursos de Pedagogia e de Engenharia Civil e Ambiental, Thiago participou do grupo de trabalho sobre Educação Ambiental, e apresentou o estudo intitulado “Bilhetes de despedida da escola: discursos de estudantes frente a um processo de desterritorialização”, parte de sua tese de doutorado no programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sob a orientação da professora Angélica Cosenza Rodrigues, que é também é autora do trabalho.
De acordo com o professor, o objetivo do trabalho levado ao Anped foi analisar discursos de estudantes frente à demolição de uma escola pública, no contexto da realocação da cidade de Itueta, ocorrido no início dos anos 2000. A desterritorialização da cidade foi provocada pela construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés.
Você pode se interessar por:
- Alunos de Sistemas de Informação participam do Hacktown, festival de inovação e tecnologia
- Aula magna de Direito aborda os impactos da Inteligência Artificial na prática jurídica
- Edital UNIVALE N° 106/2026 - Retificação ao Edital UNIVALE N° 103/2026 — Processo Seletivo de Discentes Extensionistas para o Projeto de Extensão: “NÚCLEO REPENSAR OBESIDADE: Tratamento Integrado da Obesidade”
“O trabalho apresentado parte do problema social de que sujeitos de escolas situadas em territórios atingidos por grandes projetos de desenvolvimento estão em contextos de atravessamentos de discursos desenvolvimentistas, e a Educação Ambiental praticada nessas escolas pode reproduzir o discurso hegemônico, deixando de se comprometer com a defesa dos territórios e com a justiça ambiental”, explicou Thiago.
O docente considerou, em sua pesquisa, que o evento de despedida da escola se enquadra como uma atividade de Educação Ambiental. “A análise nos mostrou que, de modo geral, a desterritorialização é avaliada de forma negativa, como geradora de tristeza, angústia e perda. Consideramos que o evento promoveu uma educabilidade voltada ao reconhecimento e à valorização do território, produzindo sentimentos de consternação e indignação frente ao processo de desterritorialização. Ao possibilitar que os estudantes se colocassem como avaliadores da realocação, o evento rompe com o modelo de Educação Ambiental Conservadora que reproduz o discurso desenvolvimentista, silencia sujeitos e oculta injustiças ambientais em territórios atingidos por grandes projetos de desenvolvimento”, concluiu o professor.

Já a professora Renata Greco esteve no grupo de trabalho do Anped sobre Gênero, Sexualidade e Educação. Ela, que é docente no curso de Pedagogia, apresentou o trabalho “Gênero, pânico moral e escola sem partido: o PME de Governador Valadares (MG)”, também parte de tese de doutorado, defendida no programa de pós-graduação interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A pesquisa levada por Renata para o Anped problematiza impactos dos conflitos e disputas no campo político-educacional na elaboração dos planos governamentais que normalizam os currículos escolares no período de 2014 a 2025. O trabalho também analisa projetos de ataques às pautas de gênero nesses currículos, em um cenário historicamente construído, com foco no caso específico desses acontecimentos na cidade de Governador Valadares.
“Foram realizadas rodas de conversa envolvendo militantes das pautas de gênero e raça, e professores e professoras de escolas públicas. Foram ainda analisadas gravações das reuniões da Câmara Municipal de Governador Valadares na discussão do Plano Municipal de Educação e do Projeto Escola Sem Partido”, afirmou Renata.
O trabalho da professora conclui que a leitura dos conflitos na Câmara Municipal, em 2015 e 2019, reafirma o currículo como lugar de disputas não somente dentro das escolas, mas um campo amplo que começa nas pautas nacionais. “As narrativas mostram uma colonialidade presente na cultura da cidade, por meio do Legislativo municipal, a censura aos currículos, as dificuldades para o desenvolvimento de uma educação feminista, o medo e os desafios de professores e professoras que fazem a resistência progressista na educação do município”, acrescentou a docente.













